Ressurreição

O blog revive! Pizza de Bacon nunca estraga! Na verdade, estraga, nunca comam uma pizza de bacon que ficou muito tempo fora da geladeira ou mesmo quase dois anos dentro dela. E não, isso não é uma mentira de 1º de abril.

Hoje marca a estreia da segunda temporada de Game of Thrones, uma série da HBO que tem recebido vários elogios e prêmios nesse último ano. Como um fã da série e também dos livros em que ela foi baseada, usarei o blog para comentar alguns detalhes dela. Um detalhe interessante é que a série estreará simultaneamente aqui e nos EUA, portanto não teremos de esperar uma semana para assistir ao episódio.

A primeira temporada foi um prelúdio a guerra que vai tomar os 7 reinos e é na segunda que veremos os primeiros confrontos entre os vários reis que surgem. Mal posso esperar para ver como farão a enormidade das cenas que acontecem nos livros.

Perda

Faz um mês que não posto nenhuma crítica e não será hoje que o farei.

Vim falar da morte de um dos maiores diretores de animês da atualidade. Satoshi Kon (12/10/1963 – 24/08/2010). Não são muitos que o conhecem de nome ou mesmo de trabalho, mas ele é o terceiro ou quarto grande nome dos longas-metragens de animê da atualidade (depende se você ainda considera Katsuhiro Otomo um diretor). Só dirigiu quatro longas e uma série: “Paprika”, “Tokyo Godfathers”, “Millenium Actress”, “Perfect Blue” e “Paranoia Agent”. Participou também de “Patlabor 2″ (um favorito meu) e em “Memories”, projeto em três partes de Otomo.

Apesar de ter poucos filmes na carreira, esses foram o suficiente para colocar seu nome no hall da fama. Especialmente “Paprika” (o único que vi),  que trouxe a tona os sonhos como ambiente de uma trama policial (inspirando “A Origem”).

O grande diferencial de seus filmes é o tom, inédito em uma produção de animê. Eles misturam o realismo emocional e um mundo colorido. “Paprika” consegue ser, ao mesmo tempo, oniricamente pirado e realista, com personagens sonhadores e ambientes que lembram “A Viagem de Chihiro”. Certamente um filme para se ver de novo.

Tudo o que posso fazer agora é assistir a seus filmes e comprá-los assim que puder.

Jun

Resumo da Semana

Já faz uma semana que não atualizo este blog e por muitos motivos. Primeiro, começaram as aulas e, por consequência, tive menos tempo para escrever. Segundo, estou travado em minha crítica sobre “A Origem”; estou tentando não escrever a mesma coisa que todo mundo sabe e isso acabou complicando minha vida. Para saberem minha opinião de forma resumida, eu adorei o filme e foi o melhor do ano até agora.

Tornando a semana ainda mais complicada, eu vi mais dois filmes no cinema e comprei mais três DVDs, além de comprar uma HQ gigante. Mais uma vez, adiantando minha opinião, “Meu Malvado Favorito” e “Os Mercenários” são filmes bem medíocres (não me matem, fanáticos por Stallone!). “Star Trek” é um filme muito divertido, mesmo para quem nunca viu a série original (eu nunca vi), “O Fantástico Sr. Raposo” me decepcionou um pouco; muita gente dizia que era genial, mas acabou sendo apenas bom. Bem animado, muito bonito e excelente fotografia, mas não chega ao nível de outros filmes de Wes Anderson. O terceiro DVD que comprei foi o de “500 dias com ela”, que ainda não vi aqui em casa, mas vi no cinema quase um ano atrás. É um bom filme, vale a pena checá-lo. E a HQ é o primeiro volume de “Sandman: Edição Definitiva Vol. 1″, que basicamente é exclusivo para colecionadores.

Uma coisa interessante sobre este semestre na minha faculdade, o tema do grande projeto é cinema. O que me fez ver diversos filmes até agora. E todos fenomenais. Não sei qual devo escolher. A lista contém “Era uma Vez no Oeste”, clássico Spaghetti Western de Sergio Leone, “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembraças”, obra-prima de Michel Gondry, “Janela Indiscreta”, de Hitchcock, “O Grande Lebowski,” dos irmãos Coen, e “2046″, um filme chinês de Wong Kar Wai. Tem outros, mas não os vi, então nem falarei nada.

E minha semana foi isso. Espero terminar uma crítica ainda essa semana e ainda tenho que checar “Aprendiz de Feiticeiro” (meu deus…) e rever “A Origem”. Até mais.

Jun

15 de Outubro

Hoje soube da confirmação de que o filme “Scott Pilgrim vs The World” será lançado no Brasil no dia 15 de Outubro de 2010. É um dia muito triste para todos os nerds que gostam de cinema, vivenciaram a era dos 16-bits para baixo ou que simplesmente curtem a HQ. Por isso, gostaria de pedir 1 minuto de silêncio.

*Um minuto depois…*

Apenas mais dois meses de espera…

Jun

Crítica “Predadores”

HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAH!

Um bando de criminosos, guerrilheiros etc. são mandados para um planeta coberto de selva, onde eles são caçados por alienígenas. Adrien Brody (“O Pianista”), Alice Braga (“Eu Sou a Lenda”), Topher Grace (“That’s 70′s Show”), um russo, um negro, um mexicano, um japonês e um presidiário devem sobreviver ao jogo. E tem o Laurence Fishburne (“Matrix”) também.

Não tem nada, NADA, de novo ou bom nesse filme. É um filme de sobrevivência como outro qualquer, só que sem suspense, pouca sanguinolência e com efeitos visuais que lembram “Dragonball: Evolution”. É risível. Algumas coisas são ruins de propósito, como as referências aos filmes anteriores da franquia (compreensível) e a filmes antigos do gênero “samurai” (POR QUÊ?). Se você sempre desejou saber o que aconteceria se um yakuza de oito dedos armado de uma katana não preservada encontrasse um alienígena com uma tecnologia muito mais avançada, que pode ficar invisível, com um canhão laser nos ombros e considerado o melhor caçador das galáxias, você descobrirá nesse filme.

Para compensar, a atuação é péssima. O mocinho (que passa o filme quase inteiro sem nos dizer o seu nome e que eu já esqueci) é o melhor do grupo. Mais rápido, esperto e forte também. Não liga para os outros, exceto quando liga para os outros, e prefere trabalhar sozinho, mas se esforça para manter o grupo unido. E ele força a voz para ficar parecida com a do Batman. A mocinha (cujo nome também não nos é apresentado até o fim do filme) se importa com os outros e tem um terrível sotaque brasileiro, apesar de ser israelita. Morpheus é um louco que fala sussurrando. O médico é um frouxo piadista. Não dá pra se simpatizar com nenhum deles e no final, eu acabei torcendo para que todos morressem de uma forma rápida, para acabar o filme. Pensando bem, isso não compensa nada, apenas piora a situação.

Não gosto de falar muito sobre a música, já que não costumo prestar muita atenção nela. Normalmente, só percebo se a música for muito boa, ou se for muito ruim. E nesse filme só parei para escutá-la em duas ocasiões. Na primeira delas, o grupo de personagens está andando pela floresta, seguindo na direção de… alguma coisa, um deles acabou de morrer e toca uma música estranhamente alegre. Talvez seja eu, mas senti que tinha alguma coisa fora de lugar ali. A segunda foi nos créditos finais. Toca um roquizinho muito alegre para um filme todo fechado e escuro. Pesquisei e descobri que a música toca no filme original, “Predador”, mas nem o meu amigo fanático por filmes ruins de ação dos anos 80 soube me dizer.

Um amigo meu sugeriu que eu sempre apontasse os pontos positivos dos filmes, ao invés de simplesmente falar mal deles aqui. Seguindo o conselho, creio que o melhor aspecto de “Predadores” é que ele tem apenas 107 minutos, pois eu não sei se aguentaria mais um filme de duas horas e meia. Outra coisa positiva que li na internet é que esse é o único filme da franquia (incluindo os “Alien vs Predador”) que faz jus ao filme original. Bom, se isto estiver correto, não tenho a menor vontade de ver nenhum dos outros filmes.

Jun

Crítica “À Prova de Morte”

Outubro de 2007, estudava história quando li a respeito da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A grande estrela da Mostra, para mim (que não curto documentários nem filmes europeus), era o projeto que unia os diretores Quentin Tarantino (“Kill Bill”, “Pulp Fiction”) e Robert Rodriguez (“Sin City”, “Era Uma Vez no México”) chamado “Grindhouse”. O projeto era constituído de dois longas e alguns curtas, cada um dos longas trabalhado por um dos diretores. Naquele momento, eu acreditava que, por serem filmes de diretores renomados, logo sairiam no circuito, portanto ignorei-os para ver filmes menos conhecidos, como “Sukiyaki Western Jango” e “Glória ao Cineasta”. Quase três anos mais tarde, estréia no circuito nacional, o novo filme de Tarantino, “À Prova de Morte”, do projeto “Grindhouse”. Nem tenho o que falar.

Bom, o que é esse tal de “Grindhouse”? Pelo que eu entendi, grindhouses são cinemas nos EUA que passam horas seguidas de filmes antigos, principalmente os “trashes”. Deve existir algum no Brasil. A ideia do projeto era homenagear os filmes B que rechearam as décadas de 60 a 80 em Hollywood. O filme de Rodriguez, “Planeta Terror” (lançado em 2008 aqui no Brasil), conta a história de um monte de zumbis e poucos sobreviventes numa cidade do Texas. Os curtas contam com a presença dos diretores Eli Roth (“O Albergue”), Rob Zombie (“Halloween”, o novo) e Edgar Wright (“Chumbo Grosso”). O conceito do projeto era passar todos os filmes de uma vez, mas alguém aqui não entendeu isso e impôs um intervalo de dois anos entre os lançamentos. E sim, eu vou continuar enchendo o saco disso.

Como acabei vendo apenas o “À Prova de Morte”, terei de comentar apenas dele. Bom, durante esses longos anos de espera, li muita coisa sobre esse filme, especialmente nos meses anteriores ao lançamento de “Bastardos Inglórios”, e nada muito bom. Ao entrar no cinema, esperava ver uma tragédia do cinema, uma espécie de masturbação de um homem que já fora visto como um cineasta promissor. Mas, felizmente, não foi isso o que vi. Tarantino ainda sabe contar bem uma história, por mais idiota que ela precise ser. E os diálogos são a grande força por trás desse roteiro. O modo com que eles pareçam não dizer nada, mas conduzem o espectador é algo estranho e nada convencional, mas já se tornou a marca registrada do diretor. E os clímaces violentos e sanguinolentos, outra marca registrada, são os mais gratificantes possíveis para as horas de diálogos.

Eu não passei uma sinopse ainda, certo? Bom, isso porque ela não é tão importante. De qualquer modo, o filme conta a história do Dublê Mike, um antigo dublê de filmes de ação interpretado por Kurt Russel (aquele mesmo, de “Star Gate” e “Vanillla Sky”), que utiliza seu carro, modificado especialmente para cenas de acidentes, deixando o banco do motorista “à prova de morte”, para assassinar belas jovens em acidentes macabros. A belas jovens que se tornam alvo do psicopata são lideradas por Rosario Dawson (“MIB II”, “Sin City”), Sydney Poitier(“Knight Rider”, Joan of Arcadia”) e Mary Elizabeth Winstead (tá, ela não é tão importante, mas achei que deveria mencioná-la. Ela fez “Sky High”, “Duro de Matar 4″ e “Scott Pilgrim”).

Caso você não se sinta atraído pela história, saiba que ela interessa muito pouco nesse filme. Toda a atmosfera de filme antigo que Tarantino quis captar funciona muito bem, com edições toscas, imagens envelhecidas, carros antigos com muita potência e filosofias de bar que deixam o filme engraçado e nostálgico, mesmo que o seja para alguém que apenas vivenciou essa época através dos filmes. Ou talvez, principalmente para esse tipo de pessoa.

Como disse antes, li muito a respeito do filme ao longo desses dois anos de espera e tudo apontava que este era o pior filme de Tarantino até agora. E talvez seja correto afirmar isso. Mas isso não é demérito algum ao filme, apenas mostra a qualidade dos outros filmes do diretor. Recomendo que assistam a essa homenagem ao cinema de outrora, antes que saia do circuito (se já não saiu) e tenham de esperar outra década para sair em DVD.

Jun

Crítica “Toy Story 3″ (não exatamente)

Não há muito o que se falar de “Toy Story 3″. É Pixar. Isso resume tudo. Pixar (com exceção de “Ratatouille”) atualmente é sinônimo de excelente filme, grande diversão, animação da melhor qualidade, muita comédia e emoção. É simplesmente cinema do mais alto nível. Não existe motivo para deixar de ver a não ser que: a) Você odeia cinema, b) Você não teve infância e nunca quis ter uma ou c) Você é um babaca que acha o estilo infantil e feminino para um macho de verdade pagar para ver (você mesmo, Lucas*!!!). Para qualquer outra pessoa, é diversão garantida.

Como não vou falar do filme em si, vou gastar o tempo de vocês, os -42 que leem este blog, falando de assuntos que cercam o filme, a começar da animação apresentada logo de início, chamada “Day & Night”. Não foi a primeira vez que a Pixar apresentou um curta antes do filme (como eu acompanho no cinema desde “Wall-E” apenas, essa é a terceira que eu vejo), mas essa foi a que mais me encantou. Não que as anteriores fossem ruins, muito pelo contrário, mas a ideia de mesclar a animação 2D dos personagens em primeiro plano com suas “texturas” sendo animações 3D foi genial. A mensagem final acabou sendo um pouco mal trabalhada, mas um pequeno defeito em 6 minutos de excelência.

Outra coisa que eu gostaria de comentar é o 3D. Ainda não vi algo que me deixasse satisfeito por ter pagado a mais. Dei uma pesquisada nos preços da Grande São Paulo e a diferença de preço chega a 11 reais! O normal é 7 ou 8, o que é ainda muito caro. Para mim, mesmo em filmes como “Avatar” ou os da Pixar não mudam tanto assim. Alguns amigos meus gostam, mas continuo achando nada de mais. O pior é que os óculos ainda tiram as cores do filme. Lembro de quando vi “Up”, tive de tirar os óculos porque estavam embaçados (sim, eu chorei no filme) e a imagem ficou muito mais nítida, as cores ficaram vislumbrantes. Até parece que eles nos convencem a pagar mais para ver um filme pior. Mas não pode ser! A indústria do cinema jamais poderia ser tão mesquinha e traiçoeira. Não é?

Apenas uma nota sobre “Avatar”. Já comentei em outros posts sobre como não gostei do filme e tal, não pretendo escrever um review até conseguir uma cópia em DVD original e não pretendo jamais comprar uma, mas, passando em frente a uma enorme TV de led passando o filme em Blue-ray, até que o filme é bastante bonito. Então, para os que curtem visual e tem um aparelho de Blue-ray e uma TV da mais alta definição, comprem o filme. Para os que preferem um bom roteiro e boas atuações, comprem o DVD de Bastardos Inglórios e sejam felizes.

E o último assunto da noite é a dublagem brasileira. Muitos por aí (eu, inclusive) são um tanto preconceituosos quando o assunto é filme dublado em português. Isso porque nós somos um pouco puristas para filmes e animações; acreditamos que o original é sempre melhor (e normalmente é). Mas “Toy Story 3″ prova que a dublagem brasileira ainda não morreu e ainda é capaz de nos divertir e não fica atrás dos norte-americanos. O grande problema, eu acredito, está no fato de que dublador aqui não recebe o devido crédito. Chega uma animação grande e logo querem passar os papéis para atores conhecidos e comediantes que não sabem atuar, tudo em busca da publicidade. Alguns se salvam, mas Cláudia Gimenez no “Era do Gelo 3″ quase matou o meu ouvido. Isso porque era um papel vagabundo em um filme fraco. Nos EUA, a maioria dos papéis de animação ficam nas mãos de atores conhecidos de Hollywood, mas lá as coisas são mais integradas há mais tempo. Aqui dificilmente um ator global passa a ser dublador ou vice-versa. E nós (ainda) temos dubladores de qualidade, mas o público não os conhece, não os respeitam como respeitam a heroína da novela das sete. Eu só sei o nome de um dublador de “Toy Story 3″, o Guilherme Briggs, que faz o Buzz, mas tenho certeza que já ouvi todos eles antes. Talvez tenha um lá que seja um ator global ou um comediante que não sabe atuar, mas foram escolhidos por sua capacidade, mais do que nome. Espero que com esse advento da animação (com os animês vindo e já indo e animações concorrendo ao Oscar) os dubladores brasileiros finalmente recebam o crédito que merecem.

Jun

*Lucas é um grande (de fato, muito grande) amigo meu, que infelizmente insiste em cometer o pecado de não ver filmes como “Up”, “Como Treinar seu Dragão” e “Wall-E”, por achar coisa de criança. Vê se cresce!

Crítica “Scott Pilgrim contra o Mundo”

Para a mídia nerd norte-americana, a sensação é a expectativa do filme “Scott Pilgrim vs The World”, dirigido por Edgar Wright (“Todo Mundo Quase Morto” e “Chumbo Grosso”), que estréia em agosto. Após dois trailers muito bons, resolvi dar uma olhada na HQ em que o filme é baseado. Lançada pela Quadrinhos na Cia (da Companhia das Letras) em abril, passou desapercebida pelos meus amigos nerds e cabe a mim a tarefa de promovê-la. A versão brasileira é o compilamento dos dois primeiros volumes da série (de um total de seis, porém o último só sai no dia 20 de julho): “Scott Pilgrim’s Precious Little Life” (“a vidinha preciosa de SP”) e “Scott Pilgrim vs The World” (“SP contra o mundo”). Como não descobri quando lançarão a próxima edição por aqui, mandei vir os outros três volumes dos EUA (o que mostra quão viciado fiquei), mas escreverei aqui apenas das edições brasileiras.

Scott Pilgrim é um pivete de 23 anos que leva uma vida bastante “normal”; toca baixo em sua banda muito ruim, divide a cama com seu amigo gay, não trabalha e namora uma colegial. Isso tudo até Ramona Flowers entrar patinando em sua vida. Agora, para namorá-la, deve derrotar seus 7 ex-namorados do mal enquanto sobrevive a amores passados e tenta levar sua banda ao estrelato.

Parece história de vídeo-game ou de um mangá ruim, certo? Mas é exatamente a isso que a HQ faz referência. Com seu estilo mangá de desenho, lutas exageradas com ninjas e poderes místicos e sendo até mesmo em preto e branco, é difícil a relação passar batida. As referências a game recheiam os diálogos e os nomes das bandas (a banda de Scott chama-se “Sex Bob-omb”), bom, e na ação exagerada também. Mas nada de jogos recentes; somente de Sonic 3 para trás.

Para um nerd é um prato cheio, mas não são apenas as piadas e referências que tornam SP algo merecedor de sua grana. Afinal, tudo isso deve somar no máximo umas 50 páginas das 380 do volume. O brilho da HQ fica nas cenas do cotidiano dos personagens, trazendo personagens que, mesmo clichês, te puxam para a atmosfera que vivem, fazendo com que se sinta a vontade no meio deles e lembrando sua própria relação com seus amigos.

Sobre a versão brasileira, ela é muito bem produzida, não há do que reclamar. A ideia de lançar dois volumes em um não é ruim, já que nos poupa de comprar dois itens separados e deve economizar alguma grana para a editora também. A tradução é bem feita (baixei uma versão original na internet para comparar. Não façam isso! Comprem o original) com apenas alguns problemas com algumas gírias, mas isso não dá para resolver e é legível, apenas soa estranho. Eu pessoalmente tenho um problema com a capa, uma vez que eles utilizaram a capa do volume quatro e a Ramona, que troca sempre o corte de cabelo, aparece com um penteado inexistente na duração do volume.

Não é a toa que essa obra está chamando tanta atenção nos EUA. Com tanta energia, comédia e ação desenvolvida em suas páginas, o maior problema é conseguir esperar o próximo volume sair, ou o filme, ou o jogo de vídeo-game, o que vier antes.

Jun

Demora

Como eu já havia avisado, de vez em quando eu sumo. O motivo foi basicamente preguiça por causa das férias e a semana de provas. Não é desculpa para ficar mais de um mês, mas é a verdade. O próximo post é sobre a HQ “Scott Pilgrim” e foi escrito um mês atrás. Talvez esteja desatualizado já, mas até semana passada o segundo voluma ainda não havia saído no Brasil, então não está tão atrasado assim. Espero que não passe mais um mês sem escrever.

Jun

Crítica “Princípe da Pérsia”

Finalmente analiso um filme baseado em um vídeo-game. Caso não saibam, curso design de games, portanto, game é algo que conheço e estimo. E ainda espero um dia ver um filme baseado num game ter qualidade. E ainda espero…

Nunca joguei algo da franquia “Prince of Persia”, exceto o primeiro, ainda em 2D, mas sei que possui uma grande quantidade de fãs. Conhecido por seu estilo parkour e… bom, deve ter outra coisa, o jogo é um dos grandes nomes da empresa francesa Ubisoft. Por trás da transcriação para o filme estava o produtor Jerry Bruckheimer e a poderosa Disney, que alguns anos atrás criaram juntos a franquia “Piratas do Caribe”, de enorme sucesso de bilheteria e algum de crítica. O filme ainda conta com o diretor Mike Newell (de “Harry Potter e o Cálice de Fogo”), o astro Jake Gyllenhaal (de “O Segredo de Brokeback Mountain”), a atriz ascendente Gemma Arterton (de novo!), o ganhador do oscar Ben Kingsley (apesar de ter sido muito, muito tempo atrás), Alfred Molina (Doc Oc do “Homem-Aranha 2″) e muita, muita grana para efeitos visuais. E ainda assim, ou talvez seja “e exatamente por isso”, o filme é um fracasso.

Não tem muito que falar da história. Príncipe persa ataca cidade sagrada, o rei é assassinado e culpam o protagonista, ele foge com a princesa da cidade sagrada, tem uma adaga que volta no tempo em alguns segundos, descobrem que o assassino quer a adaga para ter poder, mas isso destruiria o mundo e nossos heróis devem impedí-lo. Tem muito parkour, pouca viagem no tempo, muito diálogo superficial e pouco avestruz. Se havia alguma coisa boa na história original, ela foi assassinada pelo roteiro. Se havia algo de bom no roteiro, a direção o apagou. O editor cuidou de cortar o resto de decente.

Em termos visuais, o filme até entrega o que esperamos. Os efeitos visuais da adaga funcionando é legal, mas acontece em poucos momentos. O parkour é decente, mas ainda prefiro as cenas iniciais de “Cassino Royale”. As cenas de ação são muito ruins, exceto uma em que o herói luta contra um cara com um chicote, a cena mais CG do filme. Falando nisso, os assassinos são responsáveis pelos piores cortes do filme, isso porque a edição já estava ruim. A música me incomodou profundamente.

Em termos de atuação, “Príncipe” segue a maldição de sempre: filme com Ben Kingsley está fadado à desgraça. Ele não faz nada de errado como o vilão, nada de bom também, mas ele estar no elenco dá azar. Gyllenhaal faz um péssimo príncipe galante e carismático e o par entre ele e Arterton só torna as coisas piores. Já disse o que acho dela e aqui não está melhor. Após alguns trabalhos bons, Molina desaponta como um chefe de corrida de avestruzes. O sotaque britânico de todo o elenco também não ajuda a me convencer que estão todos na Pérsia antiga.

No geral, é mais um filme de vídeo-game fracassado. Não é o pior deles, mas ainda nos faz questionar se há um futuro para esse tipo de adaptação. Exemplificando a minha impressão, com uma hora de filme eu já estava cansado, coisa que não acontecia desde “Transformers 2″ (em “Avatar”, fiquei cansado em uma hora e meia). Conhecendo o público geral, é até assistível. Mas eu ainda gostaria de ter a adaga para voltar no tempo e deixar de ver esse filme.

Jun